Arianna Casoli quer correr no Brasil mas ainda enfrenta barreiras
- Bianca Emisa
- 29 de mar.
- 3 min de leitura
Atualizado: há 5 dias
A multicampeã da EuroNASCAR esbarra na falta de patrocínio para competir novamente no país

O automobilismo feminino tem ganhado espaço nos últimos anos, mas as barreiras para as mulheres ainda são significativas. Enquanto a Fórmula 1 registra um crescimento de 40% no público feminino, o número de pilotas competindo profissionalmente segue reduzido. Esse cenário reflete a realidade enfrentada por Arianna Casoli, a primeira mulher a competir na NASCAR Brasil, que busca apoio para retornar ao grid da categoria.
A trajetória de Arianna Casoli no automobilismo
Arianna Casoli é uma veterana das pistas e referência no automobilismo europeu. Atualmente, com 50 anos, a italiana é dona de cinco títulos do Lady Trophy e de um do Legend Trophy (Over 40) na EuroNASCAR2. Sua carreira de sucesso começou em 1995, quando, aos 21 anos, iniciou seus treinamentos. No ano seguinte, completou sua primeira corrida e, ao longo dos anos 1990 e início dos anos 2000, participou de diversas competições monomarcas na Itália, incluindo a Copa Clio, Copa Saxo e Copa Smart.
Hoje, consolidada na NASCAR Euro Series, Casoli conquistou reconhecimento como uma das principais pilotas da categoria. No Brasil, fez história ao se tornar a primeira mulher a correr na NASCAR Brasil, participando da etapa final da temporada passada, em Curvelo-MG. Além disso, esteve presente na estreia do primeiro oval do país, um marco para o esporte a motor nacional.
Apesar da experiência e do talento, Casoli enfrenta um desafio recorrente no automobilismo feminino: a falta de patrocínios. O alto custo para competir impede que muitas mulheres tenham oportunidades consistentes nas principais categorias do mundo.
O desejo de voltar e as barreiras financeiras

Casoli manifestou interesse em disputar o troféu Special Edition da NASCAR Brasil, que ocorre nas três últimas etapas da temporada. No entanto, sua participação ainda é incerta devido à dificuldade de conseguir patrocinadores. Em entrevista ao Relargada Podcast, a italiana explicou os desafios enfrentados.
"Eu falei com as equipes que gostaria de fazer a Special Edition no final da temporada, para não haver conflitos com as datas [da NASCAR Euro Series] na Europa, mas até agora não consegui o patrocínio. Falei com muita gente para conseguir algum suporte, mas [como] eu estou na Itália, está muito difícil [conseguir]", afirmou.
A questão geográfica também dificulta a captação de recursos. "Quando estive no Brasil no início do ano, falei com algumas pessoas, mas não é fácil, porque não estou no sistema no Brasil. Aqui na Itália, as marcas são diferentes, então não existe muito interesse, mas pode ser que a gente consiga."
Mulheres no automobilismo: avanços e desafios
O caso de Arianna Casoli reflete um problema estrutural no automobilismo: a escassez de apoio para mulheres. Embora categorias como a F1 Academy busquem formar novas pilotas, a presença feminina em campeonatos de alto nível ainda é limitada. O crescimento do público feminino na F1 mostra que há interesse das mulheres no esporte, mas essa mudança ainda não se traduz em mais oportunidades para pilotas profissionais.
A NASCAR Brasil, por sua vez, tem potencial para se tornar uma referência na inclusão de mulheres no esporte, mas depende de uma estrutura que facilite esse acesso. O retorno de Casoli seria um passo importante para aumentar a representatividade feminina na categoria e inspirar novas gerações.
O impacto de sua presença na NASCAR Brasil
Além de ser um marco histórico, a participação de Arianna Casoli na NASCAR Brasil teve um forte impacto na representatividade feminina no esporte. "Conversando com algumas pessoas, descobri que existia um projeto da NASCAR no Brasil, e falei ‘eu quero correr lá, [para mim] seria um sonho!’. Eu comecei a falar com o Thiago Marques, [mas] no começo não conseguimos patrocínio. Depois, em Curvelo-MG, conseguimos fazer e foi uma coisa maravilhosa", relembrou.
O pioneirismo da italiana no primeiro oval do Brasil também foi motivo de orgulho. "Eu adoro o [circuito] oval. Foi a primeira corrida no oval no Brasil, e eu também fui a primeira mulher na NASCAR Brasil. Isso é uma honra porque, no meu coração, é a maior conquista possível", finalizou.
A entrevista completa pode ser assistida no canal Relargada, no YouTube. Enquanto isso, o futuro de Casoli na NASCAR Brasil segue incerto, refletindo os desafios enfrentados por muitas mulheres que sonham em competir profissionalmente no automobilismo.
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